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BOTÃO DA ROSA QUE DESABROCHOU
Vejo monstros de perna de pau,
Flores ofertadas de encanto,
Toques de berimbau
Estrondos de alegria em pranto.
Vejo girassóis correndo,
Crianças descendo subidas,
Grega, troiana e fenícia,
Um só som da magia, escondendo.
Vejo centauros, cíclopes voando
De vez em quando me vejo,
Sou e não sou alguém modificando,
Não importas se é abelha ou percevejo.
Vejo as velhas sorrindo, parindo partidas
Crianças entendem as saídas,
Jovens vêem entradas,
Num só ritmo e na mesma ida.
http://brejaubapoesias.ning.com/
Relatos de uma mineira na labuta em Sao Dimas, Abreus em Alto rio doce, cipotanea:
Aqui segue apenas um resumo: o livro está sendo trabalhado. Necessitamos conhecer esse caso que comecou a partir de 1950:
Vou comecar pelos meus 3 anos de idade, foi dai que comecei saber as coisas. Me lembro que minha mae se sentava em um banco, na varanda de nossa casa, todas as tardes e me dava de mamar em seu seio materno. Aos 7 anos de idade eu entrei na escola: foi assim: A professora era quase nossa vizinha, um dia ela foi passear em nossa casa e eu disse para ela que queria ir à escola. Ela respondeu que podia e falou o dia que eu podia ir. E, eu, sem nunca ter visto uma sala de aula, fui com outras criancas vizinhas maiores. Era uma unica professora para dar aula para primeira, segunda e terceira series juntas.
Chegei na escola levando um livro velho emprestado, a professora comecou me ensinando ler as letras do alfabeto. As aulas comecavam as 10 horas da manha e terminava as 2 horas da tarde. Dentro deste horário talvez a gente tomava água, isto è, quando o aluno nao era muito timidoi e tinha coragem de pedir a professora para ir lá no brejo tomar água.
Ao término da aula, deste primeiro dia, eu já conhecia todas as letras, e ai fui, com um mes eu já sabia ler, escrever e contar.
No final do ano fui promovida p ara o segundo ano com a nota “10” que era a maior da epoca.
Em todos os finais de ano a professora fazia festa para os alunos, sendo assim o exame final, ou melhor, a avaliacao final da aprendizagem.
Aconteceu, que neste dia eu amanheci doente, com febre, a minha irma me levou a escola carregada nos bracos, eu li a licao diante de alguns homens, a mando da prefeitura de Alto Rio Doce, pois, nesta época, Cipotanea pertencia a prefeitura de Alto Rio Doce.
Fiz continhas no quadro, recitei poesias, apesar de estar tremendo de febre, mas, eu gostei, porque foi ai que eu fui calcada com umas sandalinhas, porque estava doente.
Entre todas as alunas eu era a menor, ao termino do recreio, todos os dias, a professora mandava que fizessemos duas filas, uma dos meninos e outra das meninas, para cantarmos o Hino Nacional. Comecava a fila com os alunos menores na frente, eu era sempre a primeira da fila.
Aos 14 anos de idade ganhei a primeira afilhada, fiquei muito alegre, porque era pessoa de fora e ai eu ia arranjar compadre e comadre. Aconteceu que na vespera do batizado, eu tive febre, passei mal a noite toda, tomando chá que minha mae fazia.
Nesta epoca (1950) nao existia esta (adolescencia). Assim que sai da escola, comecei a trabalhar aos 12 anos de idade, aprendendo a costurar, continuei bordando como tinha aprendido na escola, trabalhando com um processo de linha, costurando para fora, plantava milho, capinava, colhia, vendia, fazia sabao para vender e assim recebia um dinheirinho comprava roupas, calcados e ainda algumas coisas assim como: roupas de cama, vasilhas, etc. No entanto, eu ainda tenho uma cama comprada com dinheiro de milho. Costumava que as vezes, a gente trabalhava o ano todo, ia juntando para comprar vestido novo, no mes de agosto, porque tinha a festa do padroeiro de nossa cidade, ( Sao Caetano) no dia 7 de agosto.
A gente costumava trocar num ano comprava vestido no outro comprava sapatos e assim ia sendo feliz.
Na decade de 50 pra 60, os pais tinham o costume de pensar que as filhas deveriam se casar antes dos 20 anos de idade, era o costume da epoca em gera. Muitas mocas se casavam até mesmo, sem conhecer o noivo direito, isto è, sem namorar. Quando os rapazes iam passear em nossas casas, eram nossos pais queu ficavam na sal, conversando com eles, a gente ia lá de vez em quando. Aquelas mocas mais safadinhas, costumavam marcar encontros por recadinhos, nas casas de alguns parentes, mas eu nunca tive esta oportunidade. As vezes, aproveitava uma escapadinha, indo a missa ou em algumas rezas, com pessoas de fora, mas foi tao poucas vezes que até pode contar. Os casamentos eram mais arranjados por alguns parentes, ou vizinhos, que diziam: fulano está bom para casar com fulana e vice-versa. Iam colocando as qualidade ou os defeitos, iam incentivando as mocinhas, que também nem todoas tinham oportunidades para namorar.
Aos meus 18 anos de idade, fui nomeada pelos vizinhos, a mando do prefeito de Cipotanea para dar aula na minha comunicade, pois havia muitas criancas sem aula e nao havia professora. Alguns pais com muitas dificuldades pagavam particular alguem que ensinasse um pouquinho aus seus filhos, para nao crescerem analfabetos de tudo.
Mas, a minha mae e o meu pai nao deixaram, porque eram contra o partido do prefeito. Quando eu completei 20 anos era um ano de eleicoes municipais, e aí, os candidatos a prefeito e vereadores, que iram as casas pedindo votos, me ofereceram, que se fossem eleitos, eu seria a professora daquela comunidade. E assim, deu certo, foram eleitos e logo apos a posse do prefeito e dos vereadores, eles me enviaram a folha de matricula, ai a minha mae concordou porque estava no partido que ela gostava.
Comecei a lecionar no dia 5 de marco de 1963. trabalhei o ano todo sem receber, dando aulas para 40 alunos de primeira, segunda e terceira series juntas, era um sufoco. No final do ano recebi tudo de uma vez. Eu ajudava nas despesas da casa e dava sempre presentes para todos da familia. Eu fui em Congonhas no jubileu do Bom Jesus, duas vezes, trouxe presentes para todas as pessoas de casa e também para alguem de fora.
Com este primeiro dinheiro que recebi da prefeitura, eu comprei uma maquina de costura, tocada a mao, pois, eu costurava na maquina de minha mae. Meu pai falava que ia quebrar a maquina, para eu nao costurar para fora, para que nao fosse mocas nenhuma levar costura e assim eu nao conversaria com ninguém.
Comprei um relogio despertador, para marcar certinho o horario das aulas, eu queria comprar um reloginho de pulso, mas a minha mae e esta irma do meio, como sempre mandona, nao deixaram, disseram que nós eramos pobres, eu nao podia usar relogio de pulso, era coisa só de gente rica. Queria também fazer uma colcha bordade, elas disseram que era supérflua, também nao deixaram.
No segundo ano de trabalho, eu recebi duas vezes por ano e finalmente casei-me no dia 5 de setembro de 1964, com 22 anos de idade.
Mesmo dando aula, eu ainda costurava, bordava, etc. ganhava alguns dinheiros extras. Sempre no mes de janeiro eu apanhava «paina » nos brejos para vender. As roupas de cama do meu casamento foram compradas com dinheiro de “paina » do brejo.
No meu casamento meus pais nao deixaram convidar ninguem nem uma moca, nem minhas madrinhas, fizeram uma janta, mas só tinha 13 convidados.
VAI AI UMA MUSIQUINHA
Vai boiadeiro,
Que a noite vem,
Ajunta o teu gado,
e vai pra perto de teu bem.
Eu chego em casa, eu me sento no terreiro,
logo vem a filharada me abracar,
sao 10 filhilhos, muito pouco quase nada,
mas, nao tem outros mais bonitos no lugar.
Escritos de Brazilina Trindade
Brejauba poesias
Cipotanea MG
http://brejaubapoesias.ning.com/
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